sábado, 2 de janeiro de 2010

De.Carta para 2010* Martha Medeiros


Seja bem-vindo, Ano-Novo. Que você seja tão bonito quanto o número quetraz, redondo. Eu disse redondo, não gordo, tá? Tente ser um anomagro. Não estou sugerindo que nos prive de ter apetite, e sim queseja magro no sentido de leve, diáfano, onírico. Que seja um ano parase passar de pés descalços, espírito aberto, consciência limpa esorriso licencioso. Não pese.Inevitável que algumas más notícias virão. Tsunamis acontecem,tragédias sísmicas, epidemias, e algum maluco há de provocar um crimechocante. Nem ouso pedir que você evite essas calamidades, mas queelas sejam raras, raríssimas, e que não atinjam nosso epicentroemocional. Mantenha os horrores afastados. Por perto, apenas os amigosde boa conversa, os filmes que entrarão para a nossa lista dos 10mais, os dias de praia sem uma úni ca nuvem no céu e encontrosamorosos, gloriosos e numerosos de preferência com a mesma pessoa,aquela que nos fará acreditar em cartomantes: as cartomantes sempredizem que o amor está para chegar.Caso já tenha chegado, que não se vá.Sendo um ano de eleição, nos inspire a votar com discernimento, semnos deixar levar por promessas requentadas e sensacionalistas: que agente saiba perceber quem são os homens e as mulheres que podem fazerdiferença.Na categoria das coisas não tão sérias, mas igualmente bem-vindas:2010, entre para a história como o ano em que pichadores edepredadores do patrimônio público se darão conta do quanto são tolos,em que os prazos de validade dos produtos serão impressos num tamanhomaior, em que os vinhos terão seus preços reduzidos nos restaurantes eem que a gente apren derá a responder não quando alguém perguntarposso ser sincero?. Ensine a gente a dizer não, 2010. Para sobrar maistempo pro sim.E ensine também as pessoas a serem mais gentis no trânsito e foradele, a não tomarem tanto medicamento por conta própria, a respeitaremseu corpo e sua mente, a não insistirem na infantilização de seus atose a não se sentirem insultadas pela felicidade dos outros. Se essaúltima solicitação for utópica demais, então que todo mundo aprenda aviver bem, a seu modo, que assim ninguém contaminará a humanidade comseu mau humor.2010, seja um ano poético, vibrante, desencanado, musical, livre devaidades, menos tecnológico, mais humano, solidário, natural,energético, romântico. Um ano hippie, ao melhor estilo paz e amor.Andamos saudosos.Mas não tão bicho-grilo que nos fa ça esquecer que a prática deexercícios físicos é de primeira necessidade, que viajar é a melhorterapia que existe e que flores frescas em casa são um luxo que todosdeveriam se permitir.Então, 2010, em todos os sentidos (econômicos, sociais e afetivos):não seja sovina. Crise não é mais desculpa.Fonte Jornal Zero Hora - 29/12/2009

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